Quando criança, vivemos num mundo totalmente "paralelo" ao complexo mundo dos adultos. Tudo se explica de maneira simples, pura, sem análise profunda das coisas ao nosso redor. Algumas destas construções infantis tornam-se inerentes a nós.Outras se perdem no mar da vida adulta, levadas pelas ondas da nossa "maturidade". Comigo sempre ficaram as borboletas. Não! Não se trata de uma coleção de insetos mortos pregados num isopor, mas da sensação de borboletas no estômago, em momentos de extrema alegria. Às vezes causada por um simples presente, uma viagem, a visita de alguém muito querido...
Lembro-me de quando ganhei minha 1ª bicicleta: ao acordar na manhã de natal, lá estava ela! Vermelha, brilhante e tinha rodinhas! Foi a primeira vez que tomei sentido das borboletas. Batendo suas asas, voando de um lado para o outro. Transbordando pelo meu olhar, brilhantes, coloridas...
Era a melhor sensação que se podia ter. Tudo ao meu redor parecia não existir. Era apenas eu, minha bicicleta vermelha e as borboletas! E assim, elas passaram a fazer parte da minha vida. Estavam comigo na formatura do pré-escolar, quando me apresentava nas festas da escola, quando ganhei meus patins, no nascimento dos meus filhos, na formatura da graduação... Nos momentos em que nada se tinha a dizer, porque as palavras tornavam-se desnecessárias: o momento das borboletas! É o nosso espírito, alma ou essência, se entregando a um instante mágico de felicidade plena...
Borboletas no estômago, lembra a criança pura, crente, leve que ainda vive em mim. Viver sem borboletas é entregar-se ao cotidiano apático, impassível e, por vezes, letárgico, que permeia o que chamamos de vida adulta. (Bel)
Borboletas no estômago, lembra a criança pura, crente, leve que ainda vive em mim. Viver sem borboletas é entregar-se ao cotidiano apático, impassível e, por vezes, letárgico, que permeia o que chamamos de vida adulta. (Bel)

Um comentário:
ótimo texto, muito doce nas palavras e realmente temos que conservar nossas borboletas para ter uma vida VIVA. Bjs
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